4 de dezembro de 2012

Os 11 Melhores Filmes de Máfia do Cinema:




Em homenagem ao novo filme “O Homem da Máfia”, exibido no Festival de Cannes desse ano, e recém-lançado no Brasil e EUA, aqui vai uma lista com 11 dos melhores filmes sobre a máfia, filmes sobre criminosos e suas vidas, que todos nós fãs do bom cinema adoramos.

Reino Animal


O mais novo item da lista é uma produção saída da Austrália e apresenta um tipo diferente de filme sobre mafiosos. Os criminosos aqui são todos membros de uma família, no melhor estilo “O Poderoso Chefão” moderno. A obra acompanha o mais novo membro, um rapaz que após a morte da mãe é obrigado a viver com a avó, a matriarca apelidada carinhosamente de vovó Smurf, interpretação indicada ao Oscar de Jackie Weaver. “Reino Animal” ainda revelou os atores Joel Edgerton (“Guerreiro”) e Ben Mendelsohn (“O Homem da Máfia”), e é uma dessas produções que precisam ser achadas e vistas. A obra entrou na minha lista dos 10 melhores filmes de do ano de 2010.

Era Uma Vez na América


Importante em diversos aspectos essa obra marca a única investida do cultuado cineasta italiano Sergio Leone fora do gênero do faroeste. Fazendo referência ao título de seu clássico “Era Uma Vez no Oeste”, essa obra estrelada por Robert De Niro (ator número 1 na época, com quem todos os diretores queriam trabalhar) fala sobre os primórdios do crime organizado na América, quando jovens ascendem na vida da contravenção, passando inclusive pelo notório período da Lei Seca. A obra artística, e de certa forma filosófica, de Leone escolhe por um caminho algumas vezes diferente dos demais filmes sobre o tema, como na última cena entre o protagonista de De Niro e seu grande amigo transformado em desafeto, vivido de forma grandiosa por um jovem James Woods, e principalmente por seu desfecho.

Os Intocáveis


Baseado numa série de TV antiga, esse ótimo esforço do diretor Brian De Palma se mantém como referência de filmes sobre o combate ao crime organizado até hoje, e forte influência de produções como o vindouro “Caça aos Gângsteres”. Baseado em eventos reais sobre a história americana, a obra mostra a caçada a um dos maiores mafiosos de todos os tempos, Al Capone, personificado por (ele outra vez) Robert De Niro. O diretor De Palma, grande nome representante da onda de diretores autorais que tomou Hollywood nos anos 70, é também um grande amante da sétima arte, e deixa isso claro ao recriar cenas como a do clássico absoluto “O Encouraçado Potemkin”, de 1925 dirigido por Sergei Eisenstein, logo na primeira cena de “Os Intocáveis”. De Palma foi também um dos maiores discípulos do cinema de Alfred Hitchcock e tratou de homenagear o mestre na maioria de seus filmes iniciais, aqui ocorre o mesmo em algumas cenas em que faz uso do jogo de sombras.

Cassino


Considerado um trabalho menor sobre a máfia do consagrado Martin Scorsese, essa produção é ainda assim um forte esforço sobre o tema. Aqui, Scorsese resolve falar sobre como a cidade de Las Vegas foi construída no deserto pela máfia e seus cassinos, e logo após expulsos por seus atos pela lei federal. Scorsese pega seus atores preferidos de obras como “Os Bons Companheiros” e “Touro Indomável”, Robert De Niro e Joe Pesci, e cria uma história violenta e turbulenta, igualmente fascinante, que fala sobre paixão, lealdade e obsessão. O filme conta ainda com a performance indicada ao Oscar da musa Sharon Stone, no papel da prostituta que encanta o personagem de De Niro somente para depois leva-lo à ruína. O filme marca também a reunião de De Niro com seu companheiro de “Era Uma Vez na América”, James Woods, que aqui vive o cafetão da personagem de Stone.

O Pagamento Final


Brian De Palma talvez não tenha o reconhecimento que merece como um dos diretores de nome proeminente quando o assunto é filme sobre mafiosos, já que os nomes constantemente lembrados são os de Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, merecidamente já que são responsáveis por verdadeiras obras-primas do subgênero. Mas De Palma também não fica para trás tendo sido responsável por grandes filmes do gênero como “Os Intocáveis”, “Scarface”, o enfadonho “Dália Negra” (sua última investida no tema) e esse “O Pagamento Final”. Essa é uma obra, que assim como seu diretor, não recebe a atenção devida, principalmente por suceder o icônico “Scarface”, filme que marcou a primeira parceria entre o cineasta e o astro Al Pacino. De certa forma, e em muitos quesitos, “O Pagamento Final” consegue superar seu irmão mais famoso. Aqui temos por exemplo a metamorfose assustadora de Sean Penn, e um relacionamento mais satisfatório entre Pacino e seu afeto, interpretada por Penelope Ann Miller, assim como um performance mais contida do protagonista.

Os Infiltrados


Essa obra-prima promete crescer no gosto de todos que lhe fizerem outras visitas. O filme que deu ao grande Martin Scorsese seu tão merecido e tardio Oscar de melhor diretor pode não ser seu melhor trabalho, e soa como um prêmio por seu conjunto da obra. De qualquer forma essa refilmagem de uma produção asiática é uma produção acima da média, que conta com provavelmente o melhor elenco de um filme dirigido por Scorsese, mesmo sem incluir os recorrentes Robert De Niro e Joe Pesci. Aqui, temos um tour de force fantástico da lenda Jack Nicholson, em sua primeira parceria com Scorsese (não poderia ser melhor e ter vindo em momento de maior maturidade para os dois), além dos ótimos Leonardo DiCaprio (atual ator fetiche de Scorsese), Matt Damon, Alec Baldwin, Martin Sheen, Vera Farmiga, e Mark Wahlberg, que recebeu uma indicação ao Oscar pelo filme (uma indicação para Nicholson seria mais apropriada).

Scarface


Chegamos ao cultuadíssimo filme sobre o fugitivo de Cuba, que cresce na vida de crime até se tornar o chefão mafioso Tony Montana, de Miami. Levemente baseado numa produção dos anos 30, Brian De Palma eleva o jogo e cria um verdadeiro épico sobre o império criminoso de um dos personagens mais originais e prestigiados do cinema recente. Revendo a obra percebemos uma performance altamente afetada do grande Al Pacino, que poderia facilmente eleger a obra como grande produção camp (dessas feitas sob medida para um público específico, talvez de forma não muito contida). Pacino brinca e se diverte muito em seu retrato do grosseirão personagem que vai se esquivando e sobrevivendo (quem não lembra da fatídica e violenta cena da serra elétrica no banheiro, homenageada no recente “Drive”) até se tornar, mesmo que por pouco tempo, um dos criminosos mais temidos da cidade. Uma bela, magérrima e novinha Michelle Pfeiffer co-estrela como objeto de obsessão do protagonista. Pfeiffer em entrevistas recentes admite que na época, uma iniciante, só conseguiu o papel após ter cortado Pacino no teste de elenco com um copo de vidro.

Pulp Fiction – Tempo de Violência


Muita gente não interpreta a obra quintessencial do genial Quentin Tarantino como um filme sobre a máfia na hora de eleger seus filmes preferidos sobre o tema. Mas a verdade é que tanto “Cães de Aluguel” quanto “Pulp Fiction” são filmes sobre a vida de bandidos mafiosos que receberam a pitada Tarantino em seus roteiros. Aqui, por exemplo, John Travolta e Samuel L. Jackson são dois matadores a serviço do chefão Marsellus Wallace, vivido por um então desconhecido Ving Rhames. As tarefas incluem divertir a Sra. Wallace (papel da musa do diretor, Uma Thurman), quando o personagem de Travolta é pedido por seu patrão para cuidar durante uma noite de sua mulher, levando-a para jantar num restaurante, e daí uma das cenas mais icônicas do cinema surge nesse que é considerado um dos cinco melhores filmes dos anos 1990.

O Poderoso Chefão – Parte 2


Agora chegamos ao território das obras-primas unânimes (“Pulp Fiction” também se encaixaria aqui). Não existe um só bom cinéfilo que não aprecie a saga da família Corleone confeccionada por Francis Ford Coppola e o escritor Mario Puzzo (bom, provavelmente muitos, se contarmos o terceiro e menos apreciado episódio). Mas quando o assunto é o segundo filme da saga, muitos estudiosos e entendidos de cinema chegam inclusive a aponta-lo como superior ao consagrado filme original. Dando continuidade ao que havia acontecido anteriormente, Coppola inova com uma narrativa precursora ao mostrar eventos no presente ao mesmo tempo em que nos conta como Vito Corleone (aqui interpretado por Robert De Niro, ele mais uma vez) escalou na vida do crime e se tornou “O Poderoso Chefão”. Pelo filme De Niro, então um jovem ator de 31 anos, recebeu o Oscar de melhor ator coadjuvante.

Os Bons Companheiros


Heresia como possa soar para alguns, “Os Bons Companheiros” ocupa para mim o primeiro lugar (ao lado de outro filme que virá a seguir) na lista dos melhores filmes sobre mafiosos de todos os tempos. O melhor filme de Martin Scorsese e a obra pela qual sempre será lembrado é um passo a mais no que o diretor havia feito em obras cultuadas como “Taxi Driver” e “Touro Indomável”. Essa foi a primeira vez em que participávamos de um filme de mafiosos olhando de dentro, entendendo como funciona a vida de tais criminosos, como se relacionam entre si e com o mundo. A narrativa do filme de Scorsese, baseado num livro, nos coloca sob o ponto de vista do personagem de Ray Liotta, que quando menino se apaixonou pela vida de bandidos de seu bairro, a ponto dele mesmo ser aceito e se tornar um. É também a desglamourização da máfia ao mostrar-nos os mínimos problemas redundantes de seu dia-a-dia. Performances marcantes de Robert De Niro, Paul Sorvino, Lorraine Bracco, e é claro, Joe Pesci, que recebeu um Oscar como o truculento e assustador Tommy.

O Poderoso Chefão


Esse será para sempre o filme quintessencial sobre mafiosos de 10 entre 10 cinéfilos de carteirinha, e constantemente votado como um dos melhores filmes de todos os tempos. Não é apenas a história marcante criada no romance de Mario Puzzo que nos chama a atenção e seduz em “O Poderoso Chefão”, mas sim os mínimos detalhes realizados pelo cineasta Coppola que se estendem da fantástica fotografia de Gordon Willis, que contrasta com eficiência tremenda locais escuros e claros, passando pela direção de arte, maquiagem, até a trilha sonora (uma das mais marcantes da sétima arte) de Nino Rota, que pode ser tocada e reconhecida em qualquer lugar pela maioria das pessoas. Com atuações magistrais e indicadas ao Oscar de gente como Al Pacino, Robert Duvall e James Caan (sim, três atores indicados ao Oscar na mesma categoria pelo mesmo filme), e apoio de atrizes como Diane Keaton e Talia Shire. Por melhor que a segunda parte seja, ela não possui algo que essa primeira tem como grande diferencial: a figura icônica de Marlon Brando, numa de suas mais inspiradas atuações no cinema, no papel do patriarca Don Vito Corleone, que como não poderia deixar de ser, rendeu para o grande ator um Oscar.

Um comentário:

  1. Matéria fantástica, adoro o gênero e encontrei nesse post uma lista confiável e de extremo bom gosto, Grazie Mille!!!

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